sexta-feira, 27 de abril de 2012

COMUNICAÇÃO


REDES SOCIAIS

     Por incrível que pareça, em um mundo onde os meios de comunicação estão cada vez mais desenvolvidos e evoluídos, os seres humanos estão se comunicando cada vez menos. Em todas as situações e em todos os lugares, podemos sentir a diminuição de uma  comunicação em que as partes interajam de verdade.
     Andei pensando muito ultimamente sobre como têm funcionado as chamadas "redes sociais"... Quando comecei a participar delas pensei que seriam locais de relacionamento, onde conheceríamos pessoas com as quais poderíamos conversar e trocar idéias, pessoas diferentes, de todas as raças, credos, idades diversas, dispostas a bater papo e a se entenderem umas com as outras...bem, se neste momento você, que está lendo isso, começou a rir de mim, tem toda razão: é isso mesmo, estava totalmente iludida, no mundo da Lua.... Foi tolice achar que essa novidade provocaria algo de novo e melhor em nossa forma de nos relacionarmos, por dar-nos a chance de fazermos isso de longe, com menos atritos e competições.
     Nesses locais tornamo-nos "amigos" de pessoas que não conhecemos, simplesmente por serem amigos de nossos amigos... pessoas estranhas para nós como somos para elas... algumas mais que outras, isto é, você pode já ter ouvido falar de alguém, mas essa pessoa nunca ouviu falar de você... no entanto torna-se sua amiga! Isso pode ser muito complicado num mundo em que as pessoas pouco confiam umas nas outras, algumas desconfiam até de suas próprias sombras e, no entanto, aceitam essa "amizade" virtual que, no fim das contas, se torna totalmente fake.  São relacionamentos fantasmas, onde não há conversas, não há diálogos, as pessoas ou trocam algumas palavras particulares entre si, ou simplesmente fazem citações de textos ou frases de pessoas famosas, escritores, filósofos, gurus, sem dúvida alguma seres especiais, mas de preferência aqueles que estão bem longe de nós ou que já morreram! As opções que temos de respostas, bem aceitas pela maioria, são curtir ou exclamar: “que beleza, que lindo, fofo, adorei, amei...”, além dos indefectíveis...rsrsrs...hehehe...hahaha...kkkk...e assim por diante, pois, se houver qualquer tentativa de opinião, seja ou não discordante, a tendência é haver um corte na comunicação. Portanto, se está proibido pensarmos por nós mesmos e expressarmos nossos sentimentos, não há mais troca de idéias! Parece que a maioria das pessoas não pára mais para pensar, tem preguiça de refletir sobre a vida. Pode ser que muitos  se sintam inseguros de ir em busca de suas respostas e, assim não chegam às suas próprias conclusões ou se constrangem de colocá-las em questão. Ao citarmos, o tempo todo, as famosas frases, os pensamentos e longos textos dos “grandes pensadores e mestres da humanidade”, sem colocarmos nada de nossa lavra, é como se achássemos que nós mesmos não fôssemos capazes de raciocinar e pensamos que o que essas pessoas disseram merece mais respeito e credibilidade, portanto valorizam e reforçam nossas falas ou escritos.
     Nada contra os grandes sábios, é quase impossível não apreciá-los muito e não fazer citações repetindo os seus, de fato, preciosos ensinamentos, mas é aí que mora o perigo, pois parece que tudo já foi pensado e dito de tanto que repetimos, quase sempre, as mesmas sentenças, apenas de formas diferentes. Não percebemos que esse é um caminho um tanto ou quanto robotizante, já que evita vivermos sentimentos e emoções criativos que podem surgir, naturalmente, quando desenvolvemos e discutimos, no bom sentido, pensamentos e idéias próprios, pois não pensamos só com a cabeça. Como diziam os gnósticos, o conhecimento não deve ser concebido como um saber racional de natureza científica ou mesmo um saber filosófico da verdade, mas algo que brota do coração de forma misteriosa e intuitiva, de forma gnóstica, como uma “Gnosis Kardias” (o conhecimento do coração).


     Quando defendemos opiniões, sem radicalismos, sem acharmos que só um de nós tem razão, colocamos esses sentimentos para fora e podemos dar atenção, aceitar e aprender muito com os nossos interlocutores ou oponentes, se assim os considerarmos. Mas a maioria não aceita ouvir as opiniões de pessoas comuns, iguais a elas e, o que é ainda pior, mesmo quem costuma refletir e opinar por si mesmo dificilmente aceita que alguém diga algo mais, tente completar, ou discorde de suas reflexões e citações. Ao agirmos dessa forma, não há receptividade nem troca, parte-se do princípio de que quem se intromete no que dizemos é um chato, inconveniente, é de outra tribo ou está contra nós, quer nos prejudicar e assim por diante... Vamos criando uma espécie de repressão velada, criamos barreiras entre nós e aqueles com os quais não simpatizamos, isolamos pessoas por pura arrogância, não permitindo que possa haver um diálogo claro, verdadeiro e amigável. Desse jeito, tudo vai funcionando nas páginas dessas redes como se estivéssemos lendo páginas de livros ou jornais, com as quais não podemos conversar, tirar dúvidas... trocar... aprender...crescer... amadurecer... Porque introspecção, leituras e vivências só com as pessoas que nos amam e que admiram tudo o que dizemos e fazemos, é medo de enfrentarmos as nossas imperfeições e limitações, é uma forma de defesa que não nos permite evoluir.
     Sabemos que está havendo  um excesso de informação pelo mundo, na mídia, dependendo do assunto, a quantidade de notícias e repetições é tanta que se torna enjoada e estressante. E esse excesso é geral, acontece também entre as pessoas, nos relacionamentos  virtuais e nos próximos, do dia a dia, mas funciona de forma unilateral, isto é, todos falam ou escrevem e pouquíssimos escutam ou se interessam.

     Nesse processo das redes sociais nos referimos e escrevemos muito sobre mil coisas e damos pouca atenção aos nossos “amigos”, sejam os reais ou os virtuais; aliás, amigos continuam sendo apenas os que sempre o foram e algumas pessoas ainda perdem tempo enviando mensagens em tom agressivo e desagradável para todos (pois não discriminam o alvo), alguns desses recados chegam também numa forma dissimuladamente educada, mas não menos agressiva.
     Não querendo dizer com isso que deveríamos colocar somente coisas bonitinhas e engraçadinhas, mas qual pode ser o intuito de ficarmos nos agredindo, nos discriminando, digladiando, guerreando tolamente? O que ganhamos com isso? Deixamos de aproveitar bem essa rede incrível que nos trouxe a oportunidade de nos ligarmos, nos comunicarmos de onde estivermos, de nos unirmos de uma forma que há poucos anos atrás parecia impossível. Nos unirmos não é necessariamente  tornarmo-nos  iguais, homogêneos, mas termos condições de estarmos juntos mesmo separados por quilômetros e, durante essa vivência fantástica, sabermos como tratar as pessoas gentil e educadamente, isto é, com respeito e consideração. Quando nossa atitude é contrária a esta, mostra falta de consciência do que somos espiritualmente ao encarnarmos nessa terra.  


     E, no final das contas, todo esse discurso sobre a necessidade de podermos trocar idéias e discordarmos, educada e tranquilamente, uns dos outros, me lembrou uma frase famosa. Peço licença, pois não posso perder a oportunidade de fazer uma citação que pode valorizar esse texto... Como costumava dizer Nelson Rodrigues, com seu jeito irreverente, com bom humor e com muita propriedade: “Toda unanimidade é burra!” Não precisamos chegar a tanto, nem devemos ferir a susceptibilidade de ninguém, mas podemos avaliar se essa afirmação faz ou não sentido, já que o oposto de unanimidade significa democracia. 
   
     Ninguém é dono da verdade e, sem liberdade de pensamento e de expressão, nosso mundo não teria evoluído, pois juntos pensamos melhor do que separados. Portanto, não espero que todos curtam essa mensagem, mas que, pelo menos, não a ignorem e desenvolvam sua própria opinião e, de preferência, a coloquem aqui.


     Estamos precisando muito lembrar as palavras que tem a ver com o nome desse blog, Uranus: Liberdade, Igualdade, Fraternidade...

     Além disso.. Paz (aproveitando bem a energia de Netuno, atualmente em Peixes).

Rosa Carmen




segunda-feira, 23 de abril de 2012

MOMENTO ASTRAL


    O SIGNO DE TOURO
Eu estou apaixonado
Por uma menina terra
Signo de elemento terra
Do mar se diz terra à vista
Terra para o pé firmeza
Terra para a mão carícia
Outros astros lhe são guia...
(Caetano Veloso)

“Nada melhor do que não fazer nada, só pra deitar e rolar com você.” (Rita Lee)
  Parabéns aos taurinos e muito amor, alegria e beleza na vida de todos!!!
      O Sol está em Touro!Estamos neste momento sob a influência das energias deste signo, o primeiro da tríade do elemento terra (os outros dois são Virgem e Capricórnio), signos relacionados à matéria, que dizem respeito à forma e à estrutura externa dos objetos, ao corpo físico das pessoas, a tudo que existe sobre a Terra, tudo que é visível aos nossos olhos e está ao alcance dos nossos sentidos. São signos que ocupam-se, principalmente, com o que é tangível, observável e sólido, correspondem ao modo sensorial e empírico de ser, são os mais práticos dos quatro elementos. Pragmáticos, preocupam-se em fazer as coisas funcionarem e em dar-lhes limites.
    Touro rege a segunda casa da esfera zodiacal (no plano do mapa astral), o setor que se refere aos nossos valores, desde o mais básico como a moeda de compra e venda, assim como tudo o mais que consideramos importante adquirir para vivermos melhor aqui na Terra. Enfim, aquilo que valorizamos e o dinheiro que ganhamos com nosso trabalho e todas as coisas que ele pode nos proporcionar. Regido pelo planeta Vênus, o mais próximo da Terra e que é conhecido por nós como a Estrela Dalva (quando matutina, aparece ao alvorecer) e Estrela Vésper (quando vespertina, ao entardecer). Vênus era a deusa do amor, da beleza e da fecundidade, simboliza a relação entre os seres humanos, é o símbolo da atração sexual, do instinto natural de fecundação e da geração. Uma deusa que possuía, inclusive, dois perfis, um que inspira o amor comum, material e carnal e o outro inspirador do amor imaterial, etéreo, através do qual se atinge o Amor Supremo. Na mitologia, para os Caldeus era Isthar, comparada a virgem mãe sumeriana, Senhora dos céus e deusa da fertilidade. Entre os gregos, dizia-se que nasceu do sêmen e do sangue que jorrou dos testículos cortados de Urano e que caíram no mar. Da espuma surgiu Vênus, belíssima, numa grande concha.  
   Por tudo isso, podemos perceber que o signo de Touro associa-se ao simbolismo da matéria prima, da substância inicial, ao elemento terra como uma massa portadora de vida, a Terra Mãe. Portanto, Touro representa a beleza, o amor, o prazer e a concretização, além dos nossos valores pessoais e necessários à sobrevivência na terra.
    O taurino, alguém nascido com o Sol neste signo, no seu melhor sentido, possuirá um temperamento forte e generoso, sensual e apaixonado. Terá uma imensa sede de viver e de aproveitar os prazeres que o mundo material proporciona. Nosso lado taurino (todos nós o temos em algum lugar de nossos mapas), nos leva a buscarmos aquela companhia que nos dá alegria e afeto, a só aceitarmos os  alimentos de melhor sabor, a comprarmos a roupa de boa qualidade que nos enfeita e nos faz mais belos, a desejarmos os objetos que mais nos agradam aos sentidos, a apreciarmos sempre o que é  belo, a querermos sempre o que nos encanta e nos traz satisfação e conforto. Uma das características dos(as) taurinos(as) será a busca de uma base segura, a capacidade de reter e acumular recursos de todos os tipos. Na via positiva serão pessoas que vêm o sentido prático das coisas, possuem senso de economia, sabem dar o devido valor a tudo que adquirem, usando a sua capacidade de reaproveitar, restaurar, preservar e assim, economizar o máximo possível. Aliás sabem economizar não só o material, mas também tempo e, portanto, dinheiro. Bons trabalhadores, produtivos, concentrados, necessitam sentir-se úteis, construir coisas sólidas e permanentes. São tenazes e persistentes. Só fazem o que gostam, para fazerem bem feito, senão não fazem. Muitas vezes, nesse caminho não adquirem apenas o que necessitam e deixam-se levar pelo desejo incessante de ter mais e mais, e parecer estar em melhor condição financeira do que realmente estão. Podem também acumular não só dinheiro, mas muitas coisas inúteis. Difícil saber como aceitar as pessoas nos momentos em que elas lhes parecem pouco agradáveis e, assim, as rejeitam sumariamente. Esta é uma energia ligada às nossas posses e à nossa forma de amar, e o amor, para os taurinos, é feito de doações, de trocas e de muito prazer. Prazer que  buscam em tudo o que fazem, prazer que atinge todos os sentidos, visão, tato, audição, olfato e paladar. São, como ninguém, afetados pelas cores, pelos sons, os sabores, pelo equilíbrio e as proporções do mundo que os rodeia. São seres que vivenciam, fortemente, o amor de forma sensual e sensorial, prazerosa e possessiva, desejando ter e reter pessoas e objetos, mas conseguem dividir e compartilhar, independente de quanto possuem, pois a generosidade é uma das boas qualidades de um taurino. Apreciam a natureza em toda sua exuberância, necessitam estar em contato com ela, entretanto precisam aprender a ver também a beleza oculta em tudo que existe.  
      Pela via negativa, como taurinos, tornamo-nos excessivamente teimosos e resistentes às mudanças.  Vivemos o lado ganancioso,avarento e guloso da nossa natureza. E que preguiça, que lentidão! Nessa falta de vontade de agir e reagir, podem ficar improdutivos, não realizarem projetos e anseios, tornando- se interesseiros e oportunistas. Podem guardar rancor e demonstrarem isto abertamente, serem grosseiros no trato social ou se fecharem cheios de mágoas, obsessivos e vingativos (igual ao seu oposto Escorpião). Tendem a ser ciumentos, passionais, frios e materialistas. Acumulam coisas e só se interessam pelo que lhes parece ter alguma utilidade prática. Conseguem agir assim também com as pessoas, usando-as de acordo com seus interesses e suas necessidades, sem gratidão e afeto. Desse modo, vivem mais o lado animal, instintivo e predador.
     Até 21 de Maio a energia solar, no signo de Touro, estará propícia a batalharmos para preservarmos o que possuímos, cuidando bem dos nossos valores, com carinho, sejam eles materiais, afetivos ou espirituais sem, no entanto, nos apegarmos em excesso, procurando sempre dividir mais do que somar. Sermos persistentes em nossos objetivos, em tudo que possamos ter iniciado durante o tempo do Sol em Áries, realizando todo trabalho de forma prática e produtiva, descobrindo de quais qualidades e talentos poderemos retirar alguns tesouros para enriquecermos nossa jornada. Até 08 de Agosto o planeta Vênus, regente de Touro, ficará no signo de Gêmeos trazendo maior suavidade para as nossas comunicações e troca de idéias, nos ensinando a curtir o prazer de uma boa conversa, de forma diplomática e afetiva. É um momento bom para resolvermos problemas e pendências financeiras ou ações na justiça. Como Júpiter continua no signo de Touro até meados de Junho de 2012, terá influência nesta passagem do Sol por este signo. Podemos também ter bons encontros sentimentais, viagens e contatos com cultura e com artes e devemos ter cuidado com gastos excessivos. Júpiter traz expansão. 
     Usando os bons atributos venusianos, vamos descobrir que, quando buscamos, de forma equilibrada, o prazer e a alegria possíveis em nossas vivências terrenas, iremos aproveitar melhor o que houver de mais belo e agradável ao nosso redor, sentindo o “sabor” de cada instante, “sorvendo” toda beleza da natureza e a doçura das relações com os nossos semelhantes, sem esquecermos de provar o encanto do espírito, pois assim estaremos sendo gratos à terra e aos céus por tudo o que estamos recebendo.

            Lembrando as boas qualidades taurinas:

PRATICIDADE – PRESERVAÇÃO – PRODUTIVIDADE – SENSO ESTÉTICO - GRATIDÃO – VALORIZAÇÃO – PRAZER – DOAÇÃO - AMOROSIDADE!!!!!!

Rosa Carmen

segunda-feira, 16 de abril de 2012

ACEITAÇÃO


COM OLHOS DO AMOR

 Todos queremos ser amados, aceitos e apreciados, mas muitos de nós só apreciam alguém por algum talento ou qualidade especial...Ah, se olhássemos nosso semelhante sempre com olhos de encantamento, fosse ele quem fosse e como estivesse, sem precisar possuir a beleza exterior que escolhemos ser a melhor ou a beleza interior que imaginamos e decidimos ser a mais correta... Encararmos todos os seres humanos sem os julgarmos de acordo com nossos valores e crenças, deixando de ver o mundo espelhado apenas em nossos conceitos...pois achamos sempre que nosso espelho interno é feito do cristal mais puro e reflete a verdade mais verdadeira... Essa arrogante certeza nos embaça a visão e detém as fibras do coração, e assim costumamos avaliar de maneira crítica, dura e fria aqueles que achamos ser diferentes de nós, seja na forma, seja no pensamento ou no sentimento.
 Que bom seria se aprendêssemos a nos apreciarmos uns aos outros simplesmente, como apreciamos as artes e a natureza...se, com a pureza da criança, ao fitarmos o próximo, sentíssemos a mesma emoção e alegria de quando vemos  o nascer e o pôr do Sol... a suavidade da Lua refletida em um lago...a chuva caindo do céu e lavando a terra...a brancura da  neve se espalhando pelo solo...as montanhas cobertas de plantas... árvores... folhas...flores...frutos...milhares de cores... as ondas do mar...o brilho das estrelas no firmamento... o som de uma música ou de um canto, ou o gesto de um querido animal de estimação...
 O mundo que nos cerca e o que guardamos na alma é como um poema escrito pelo Criador para a criatura, que nos une numa mesma misteriosa e fantástica história da qual até hoje não sabemos realmente como começou nem quando terá fim... Se um dia, ainda viventes neste planeta Terra, todos nós nos olharmos sem nos compararmos em nada, livres de qualquer orgulho, inspirados apenas pela força e pela magia da beleza, do amor, da simplicidade e da compaixão com os quais foi construída cada estrofe desse poema épico... se assim acontecer, esse, certamente, será um momento de glória, de resgate total, de cura e de verdadeira felicidade para toda a humanidade!

Rosa Carmen

terça-feira, 10 de abril de 2012

MOMENTO ASTRAL


O SIGNO DE ÁRIES
    O Sol entrou no signo de Áries no dia 21 de Março e ficará nele até o dia 20 de Abril deste ano de 2012.  Estamos passando agora por aquele momento especial  do Equinócio do Outono (para o hemisfério Sul) e do Equinócio da Primavera (para o hemisfério Norte).
  Áries é o primeiro signo da esfera zodiacal e o primeiro da triplicidade do fogo (Áries, Leão, Sagitário). É o fogo-centelha que dispara os outros que virão. Representa o eterno retorno, pois com ele inicia-se o novo ciclo anual após completar-se o movimento da esfera zodiacal com o signo de Peixes. É  o “despertador” do Zodíaco, acorda os outros signos, portanto representa todos os começos, a energia que impulsiona e provoca os movimentos que iniciam um momento de ação renovadora.
 O signo de Áries é regido pelo planeta Marte que, em nossos mapas, juntamente com o Sol representa nossa Energia Vital e, portanto, ajuda ou prejudica nossa saúde de acordo com os aspectos existentes. É o planeta que nos traz a disposição do agir, do fazer, da vontade de realizar e encoraja a humanidade a vencer a inércia.
    O símbolo do Áries é o chifre do carneiro, nesse caso, de caráter solar, que possui um sentido de forte energia, poder, elevação e eminência. Os guerreiros de diversos países (principalmente os gauleses e vikings) usavam capacetes com chifres para ostentar uma força soberana e atrair a vitória nos combates. Outro exemplo desse simbolismo são as telas que retratam Alexandre o Grande e Moisés com chifres no alto da cabeça.

     Marte, na mitologia romana, era o altivo Senhor da guerra, um deus da luta, do combate, um guerreiro, um conquistador em todos os sentidos. Jovem e belo, viveu vários amores, entre eles com Vênus, a deusa da Beleza e do amor, com quem teve o filho Eros, o Amor.
    A lenda de Robin Hood também é associada a energia ariana. O herói da floresta de Sherwood, além de tirar dos ricos para favorecer os pobres, também era brincalhão, simpático e divertido. Um herói atípico, que dizia desaforos e fazia desconsiderações, encontrava alegria na batalha porque valorizava, acima de tudo, o seu objetivo, aquilo que desejava alcançar.
   Áries fala do nosso ego que se afirma e se impõe. O ariano típico e bem resolvido costuma ser ativo, veloz, ousado. Possui uma coragem fora do comum, acompanhada de muita confiança e otimismo. Tudo isso pode torná-lo um líder ou chefe em todos os campos em que atue, pois costuma agir com bastante autoridade demonstrando que sabe o que quer e confia no que faz. De forma mais positiva, são pessoas diretas, sinceras, possuem bom humor e alegria de viver. Cheios de motivação, costumam ter sempre novas idéias para iniciarem novos empreendimentos e para isso são rápidas, eficientes e possuem voz de comando. Ao contrário do seu oposto Libra, não perdem tempo com hesitações, não pensam duas vezes nem medem as conseqüências quando desejam algo. Detestam pendências, estão sempre abrindo caminhos para a próxima tarefa. Não lhes falta facilidade para encontrarem saídas para os impasses e soluções para os problemas.
   Fortes, impulsivos, passionais, os arianos podem ser bons esportistas ou  peritos cirurgiões. Possuem excesso de energia e a usam bem através da força de vontade, velocidade e iniciativa, que os tornam pessoas ágeis, produtivas, seguras de si mesmas e do que querem realizar. Generosos, podem agir como defensores dos mais fracos. Esta é uma energia extremamente yang, agressiva, portanto a mulher ariana dificilmente será alguém dócil e suave e, se não souber como equilibrar essa sua natureza autoritária e tendendo a rude, se apenas tentar reprimir seus sentimentos e impulsos, sua saúde poderá ser prejudicada. É preciso que ela faça um trabalho constante e consciente consigo mesma, respeitando sua natureza, pois os regidos por Marte possuem excesso de energia que não deve ser desperdiçada, precisa ser gasta, bem usada e bem direcionada, caso contrário pode causar doenças.
  Aliás, essa é uma atitude que todos nós devemos ter, seja qual for o nosso signo.
  Mal direcionada a energia ariana gera muita impaciência, autoritarismo, agressividade, raiva, rivalidade e grosseria. Torna a pessoa meio desastrada, machucando-se facilmente, dando trombadas em objetos ou mesmo em pessoas, fere a si mesmo e aos outros. Deve ter cuidado ao dirigir qualquer veículo. Agitada, difícil de controlar, costuma ter reações explosivas. Estraga e desperdiça coisas. Sexualidade exacerbada. A força do Áries é impulsiva e indomável, podendo provocar falta de limites nas ações e falta de respeito e consideração em relação aos outros. Egoísmo que faz pensar só em si e o querer só para si, mesmo quando parece estar fazendo para o outro. Há uma grande necessidade de fazer tudo sozinho, de ser o único e parecer o melhor.

  No entanto, não conseguimos sobreviver na Terra sem a disposição e a atitude ativa do Marte, mas precisamos saber quando e como agir, com calma, tolerância e paciência, nos dispondo a dar lugar também aos outros 
e chances para se colocarem.
   Até 20 de Abril estaremos sob a influência das energias do signo de Áries.
  Este será um bom momento para iniciarmos coisas, para pormos boas idéias em prática, para buscarmos novas soluções para antigos problemas. Agilizar tudo o que anda meio parado, termos coragem de cortar com o que não serve mais e partir para novas situações. É quando podemos tomar decisões rápidas, com segurança, fugindo de impasses. Mesmo dedicando-se ao trabalho, procurar também o lazer, agir com alegria e disposição, de forma jovial, independente da idade que se tenha.
 O planeta Marte está atualmente no signo de Virgem até início de Julho deste ano, bom para o trabalho e para plantarmos novas sementes em nossas vidas.
 É, sem dúvida, um momento de brilho e luz, mas não esqueçamos que a luz ilumina, mas pode cegar, o fogo esquenta, mas pode queimar e o brilho irradia, mas pode ofuscar!
   Aproveitemos bem, com tranquilidade, essa inesgotável energia, lembrando sempre do melhor que o signo de Áries e seu regente Marte nos trazem:

 CORAGEM – DINAMISMO – VITALIDADE – JOVIALIDADE -DISPOSIÇÃO - ESPONTANEIDADE – DETERMINAÇÃO – ATENÇÃO – COMBATIVIDADE – INICIATIVA – SINCERIDADE – ALEGRIA - BOM HUMOR - PRAZER DE VIVER!

Também serve para os Ascendentes em Áries, a Lua e os outros planetas pessoais (Mercúrio, Vênus, Marte) em Áries e alguns aspectos do planeta Marte que podem ocorrer nos mapas. 


Não esqueçamos que todos os mapas são compostos de todos os signos e planetas.

 Um bom conselho para o Áries e o Marte em nossos mapas é:

           Nunca esmorecer diante
           dos obstáculos e das dificuldades.
           Saber usar a combatividade à nosso favor.
           Não aceitar provocações
           Perdoar as ofensas
           Confiar que somos dignos da vida.
           Ouvir a voz do coração e
           pensar antes de agir...


                   paz, amor e luz

Rosa Carmen



sexta-feira, 6 de abril de 2012

SEXTA-FEIRA SANTA


O CRISTO INTERNO

O Cristo interno não vive crucificado,  
Seus braços abertos não lembram sacrifício
São asas angelicais nos envolvendo
E nos fazendo sentir sempre amados.

O Cristo em nós não mostra sofrimento,
Não sente a mágoa de quem foi traído
Não há coroas de espinhos em sua fronte  
Seu corpo puro nunca foi ferido.

O Cristo interno é vida, é alegria,
É vontade de amar, de ser feliz,
De sentir compaixão, de saber perdoar
De estar atento ao que o coração diz.

O Cristo em nós existe para ensinar
Que estamos na Terra de passagem
Viajantes vindos de outras paragens,
Aprendendo a mensagem do não julgar.

Ele é o Mestre que ilumina a nossa vida
Na Unidade que nunca se desfaz,
É o Verbo amoroso, 
A consciência expandida
O Cristo Deus, o Filho, a Mãe, o Pai!




Muitas bênçãos para todos...
           
         Rosa Carmen

quinta-feira, 5 de abril de 2012

PÁSCOA DO AMOR


         
         Amanhã, 06 DE Março de 2012, às 19:20horas será o auge da Lua Cheia em Libra.
          Todos  sabem que a nossa Páscoa cristã cai no primeiro domingo depois da primeira Lua cheia após o equinócio do Outono, para nós do Hemisfério Sul.
          Este ano a Sexta-feira Santa dos cristãos coincidirá com o Pessach judaico. Deve haver um sentido simbólico muito forte nessa coincidência, mas não me atrevo a tentar fazer qualquer avaliação. Espero que seja sempre um sentido de uma maior união. Jesus e seus pais, Maria e José, eram judeus e têm sido, há mais de dois mil anos, considerados e cultuados pelos cristãos como seres iluminados...penso que não é preciso dizer mais nada... e como bem diz a imagem acima milagres existem e não devemos esquecê-los.

          Do ponto de vista astrológico o Equinócio da Primavera (no Hemisfério Norte) é o momento em que se inicia um ano novo, pois o Sol terá entrado no grau zero do signo de Áries, o Cordeiro, e primeiro signo do Zodíaco, simbolizando a ressurreição do ano anterior e a aurora de um novo ciclo.    
        Como a Astrologia surgiu no Hemisfério Norte, está ligada as referências das estações de lá. Sendo assim, no que se refere ao Equinócio da Primavera, quando os dias se tornarão mais longos que as noites, temos o simbolismo do Sol vencendo a escuridão, anunciando a vitória da Luz contra as Trevas. Quando a força da Vida ressurge em todo o seu esplendor!
         Na antiguidade, eram os astrólogos que costumavam elaborar os calendários das festas religiosas móveis a partir das fases da Lua. Também, os dias das semanas e determinadas datas do ano eram presididos pelas divindades escolhidas por eles, possuindo, portanto, um caráter sagrado. Lembrando que os três Reis Magos eram astrólogos, por isso mesmo seguiram a Estrela...
        Nesses dias a Lua cheia de 
Sol reflete a Luz dele e estará refletindo, assim, a nossa consciência espiritual. Além de representar a plenitude da maternidade, fertilidade, fecundidade, geração, nascimento, da estação reinante.
         Essa Lua Cheia em Libra estará, de hoje para amanhã, de mãos dadas com Saturno, séria e compenetrada e um pouco melancólica. Apesar de estarem do lado oposto do Sol, Lua e Saturno o cumprimentam de longe, pois o Sol os está iluminando, mostrando que mesmo o que se opõe a nós pode, em alguns casos, ter um bom efeito, nos ajudar e clarear nossos caminhos.
        Lembrando que Libra é o signo dos relacionamentos, regido por Vênus, o planeta do amor. Vênus agora se encontra no signo de Gêmeos, que também refere-se aos nossos relacionamentos e a toda espécie de comunicação. Mas está zangada com Marte (em Virgem) e Netuno (em Peixes), isto pode criar desentendimentos e irritabilidade, além de provocar ilusões e decepções amorosas. Contudo, temos nesse momento uma boa oportunidade de treinarmos nossa capacidade de bom entendimento, aceitação, compreensão e afeto para com os companheiros dessa jornada na Terra. Que saibamos controlar, com calma, nossos impulsos agressivos e sermos mais tolerantes.
      Que essa experiência de vencermos a nós mesmos, se estenda para com todas as outras pessoas com as quais convivemos. Que a Transformação externa do que se passará e a Ressurreição que está vindo e que a tudo renova, se faça igualmente em nosso interior, trazendo Luz e Paz para nossas vidas.

        Muita Alegria, Luz e Esperança...

          BOA PÁSCOA!!!!
         
                Rosa Carmen

quarta-feira, 4 de abril de 2012

ESPERANDO A UNIÃO


DOCE MALDADE

Quando maus sentimentos
Se eternizam,
Tornam-se feras
Contidas em nossa alma.
O tempo, esse farsante,
Nos engana,
Sozinho não detém
Essa energia,
Não controla,
Quem nos dera!
Nem acalma.
Um dia ela emerge
Mansamente,
Desabrocha em amarga flor,
Doce maldade,
Lança venenos ao vento,
Suavemente
Espalha seus espinhos
Sem piedade...

Infiltra-se pelos cantos,
Sorrateira e alheia
Ignora o sofrimento
Que semeia.
Rouba alegrias,
Subtrai afetos,
Destrói momentos
De felicidade
Qual nuvem escura
Cobre a luz da vida
Será loucura?
Mágoa contida?

O véu da ilusão
Se desvanece
O espírito chora 
A beleza perdida...
E implora ao coração
A volta  do amor
Que fenece.
          
Como lidar com
O lado sombrio
Que vive em nós
Trazendo sofrimento?
Irmão da luz
Que nos habita
É dela inimigo.
Dois dividindo
A mesma natureza
Nos dando acolhimento
Ou desabrigo...

Partes do nosso ser
E desunidos
Seguindo juntos
Em eterno desafio
Um nos congela
E abate o espírito
O outro aquece
O coração do frio. 

No meio dessa
luta inglória,
Sem vencedor
Nossa alma imortal
Busca a vitória
 Do amor
E não desiste.
A cada  riso
A cada dor
Ao mal resiste.
Traz em si a magia
Do início, que nos unia
E o tempo não desfaz.
Quando dois era um
Naqueles dias
Somava, não dividia
Cantava a canção da paz

Tocado pela lembrança
O coração bate alerta             
A Luz na Sombra se faz
Surge a esperança
O amor desperta.

Essa é a história
Do nosso ninho
Enquanto a vida
Constrói caminhos
O ser humano        
Bravamente passa       
Vence procelas
Afasta espinhos
Alegre ou triste
A fé abraça
E espera
Que a Sagrada União
Da Bela e a Fera
Em nós se faça!


Rosa Carmen

sexta-feira, 30 de março de 2012

AS DUAS FACES DO HOMEM


O MAL
 
O BEM E O MAL NUMA VISÃO JUNGUIANA

 “O Mal é o oposto necessário do Bem, sem ele não existiria o Bem. Não podemos prescindir do Mal.” (Carl Gustav Jung, 2000, O. C., Vol. IX-1, § 567).

Apesar de toda reação adversa que costumamos ter diante da simples menção ao Mal (com M maiúsculo), não seria possível falar sobre a História da Humanidade sem nos referirmos ao Mal tanto quanto ao Bem. Esses conceitos encontram-se bem claros em narrativas da literatura, figuras, mitos, contos, religiões de todos os tempos e lugares, mostrando o quanto separamos os dois em nossas vidas e a eterna luta que criamos entre essas duas forças inerentes ao Cosmos e à natureza humana.
Em princípio, a idéia do Mal já nos incomoda, portanto, referir-se ao Mal, seja no sentido mais amplo, seja sobre o mal em cada um de nós, será sempre uma tarefa difícil e dolorosa, sem deixar de ser fascinante por envolver nossas emoções mais profundas e seus reflexos no mundo em que vivemos. No entanto, da mesma forma que indagamos de onde viemos, qual é a nossa origem e a de tudo que nos cerca, fatalmente buscamos a  origem da maldade. A que se deve sua existência? No temor dessa resposta existe a culpa. O que fizemos para merecer o Mal em nosso mundo e, principalmente, em nós mesmos?  A vivência do mal é algo que acontece a todos nós, indiscriminadamente, seja por experiências pessoais ou coletivas estamos sempre entrando em contato com situações ditas maléficas e nos sentimos freqüentemente receosos e impotentes diante delas. Discutir esse assunto para  melhor entendê-lo, buscar respostas e possíveis soluções é uma tentativa de aplacarmos nossa angústia humana diante de forças desconhecidas e aparentemente incontroláveis.
Dentre as pessoas que pensaram e levantaram questões sobre esse tema, ninguém o fez de maneira tão profunda e abrangente como o psiquiatra C. G. Jung, até porque, além de psiquiatra, ele foi, antes de mais nada, alguém interessado nos mistérios da vida e do espírito. Assim,  praticamente em quase toda a sua obra, Jung referiu-se à idéia do Bem e do Mal, e o fez de forma inovadora e criativa, pois, para ele, esses dois conceitos representam um par de opostos dos mais importantes para o equilíbrio do nosso mundo psíquico, físico e espiritual. De acordo com ele, jamais podemos negar a existência do mal, seja por medo de enfrentá-lo ou pela tola presunção de que este não poderá nos atingir. Assim falou Jung, do seu jeito muitas vezes irreverente:
“Só o homem infantil é capaz de pensar que o mal não está presente sempre e em toda parte, e quanto mais inconsciente estiver disto, tanto mais o diabo lhe subirá na garupa.” (O. C., Vol. IX - 2, § 255)
Ele afirmava que, por fazer parte da nossa natureza, o mal não pode ser evitado, mas podemos entendê-lo e convivermos com ele sem prejuízo para nós e para o mundo que nos rodeia.


“Senhor Deus dos desgraçados!
Dizei-me vós, Senhor Deus,
Se eu deliro... ou se é verdade,
Tanto horror perante os céus?!...”
(Castro Alves, Poesias Completas, pág. 136)

Os versos do poeta baiano são muito significativos para expressar como deveria ser o nosso assombro diante do que temos assistido de maldades e violências em nosso mundo atual.
Devemos indagar o que acontece com o Homem atual para permanecer, até hoje, preso às repressões e possessões que não lhe permitem perceber a si mesmo e ao outro em sua totalidade. Mal e Bem nos habitam e nos conduzem ao dualismo e à dissociação do homem moderno o qual, com o passar do tempo, tem cada vez menos noção de como lidar com esses dois lados da sua natureza. O homem primitivo tentava amenizar a sua angústia fazendo oferendas e sacrifícios sangrentos aos deuses, imaginando que assim aplacaria a ira deles. Hoje nos horrorizamos com as atitudes dos povos primitivos mas, sem percebermos, as repetimos, de forma inconsciente e, muitas vezes, mais cruel e inexplicável, pois deveríamos, teoricamente, ter uma noção clara do que estamos fazendo. O que, na prática, não tem acontecido.
Já dizia Jung (1944), sobre nossa inconsciência, nas guerras do século XX:
“Há coisas mais horríveis, isto é, a loucura dos homens, as grandes epidemias mentais, sob as quais nós todos sofremos hoje...Com fatalidade infernal, as nações trabalham em prol da guerra e da incompreensão. Nem o mais modesto desarmamento foi possível até agora... É curioso que as pessoas continuem tão inconscientes para conhecer os perigos que na verdade as ameaçam.” (Jung C G, Cartas, pág. 347)

Sabemos que maldades da pior espécie assolam o nosso planeta desde os primórdios dos tempos, que sempre existiram crueldades sem limites entre todos os povos de todas as raças, que algumas religiões antigas praticavam barbaridades, inclusive a dos gregos, um povo já mais desenvolvido em vários aspectos e que, no entanto, também oferecia sacrifícios humanos para seus deuses. As Cruzadas cristãs foram de uma violência extrema. Guerras terríveis aconteceram em todas as eras passadas.
As causas externas desses conflitos parecem poder explicar tudo: diferenças políticas, brigas religiosas, lutas pelo poder, por terras, riquezas as mais diversas, ou, num passado mais remoto: o primitivismo, o irracionalismo, a ignorância, pouca evolução moral, ética e espiritual.
No entanto, estamos no início do Século XXI e continuamos nos deparando com atitudes humanas as mais irracionais, apesar de todo o nosso atual desenvolvimento nos campos técnico e científico.
Jung comenta sobre isso numa das entrevistas dele após a Segunda Guerra Mundial, quando lhe foi perguntado se, com o final da guerra, os demônios que os alemães carregavam haviam sido banidos e um mundo novo e melhor surgiria das ruínas. Ele respondeu:
Não, os demônios não foram banidos, essa é uma tarefa difícil que ainda está por realizar. Agora que o anjo da história abandonou os alemães, os demônios procurarão uma nova vítima. E isso não será difícil. Todo homem que perde sua sombra, toda nação que cai no farisaísmo, é presa deles. Amamos o criminoso e alimentamos um interesse candente por ele, simplesmente porque o demônio nos faz apenas ver o argueiro no olho do nosso irmão e desse modo nos burla. Os alemães recuperar-se-ão quando admitirem a sua própria culpa e a aceitarem; mas os outros serão vítimas da possessão demoníaca se, em seu horror perante a culpa alemã, esquecerem suas próprias deficiências morais. Não devemos esquecer que exatamente a mesma tendência fatal para a coletivização está presente nas nações vitoriosas tanto quanto na Alemanha, e que elas podem tornar-se subitamente vítimas dos poderes demoníacos. A “sugestionabilidade geral” desempenha hoje um papel tremendo na América...” (Entrevistas e Encontros, pág. 147/148).

Sanford (1988) faz uma avaliação semelhante a essa, quando comenta as atrocidades cometidas pelos adversários durante as diversas guerras em nosso mundo:
“Porque o mal é contagioso. Dificilmente alguém se aproxima do mal sem ficar contaminado e afetado por ele ...” (Mal, o Lado Sombrio da Realidade, pág. 138)

Não há, aqui, nenhuma intenção de fazer uma avaliação maniqueísta, muito pelo contrário, o mais importante é ressaltar a dualidade que existe em tudo no mundo e, principalmente, no ser humano. O que interessa, neste caso, é notarmos que, num conflito armado e cruel, os dois lados agem como terroristas, cada um a seu modo, e em grande parte inconscientes da maldade de seus atos. Dessa forma continuam odiando-se e sentindo-se vítimas do inimigo, sem jamais perceberem que estão tentando atacar seus próprios demônios refletidos no oponente. Todos encontram-se possuídos pelo mal que vêem no outro, mergulhados na sombra coletiva.
Marie Louise Von Franz, a mais antiga discípula de Jung, referindo-se à sombra coletiva, disse que esta se revela, principalmente, nas guerras e nos ódios entre as nações, e conclui: “A sombra coletiva é particularmente ruim, porque cada um apóia o outro em sua cegueira.”
Cegueira que mostra estar muito longe de se realizar em nós, a promessa feita pela serpente à Eva no paraíso. Na Bíblia, a serpente convence Eva a provar do fruto da Árvore do Conhecimento, prometendo a ela a consciência de algo que, até hoje, nos é vedado saber:  “Sereis como Deus, conhecendo o Bem e o Mal.” (Gênesis 1 - Cap. 3). Sobre esse texto, Jung replica:
 “Donde nos vem a crença de que conhecemos o bem e o mal? Só os deuses o sabem, nós não. Isto é extremamente verdadeiro, inclusive sob o ponto de vista psicológico. Se nossa atitude for esta: “Isto pode ser bem ruim ou também não”, então temos a chance de acertar. Mas se já temos certeza de antemão, então nos comportamos como se deuses fôssemos.” (Jung, O. C. vol. X – 3, § 862)
Além da nossa inconsciência, sempre que falamos do bem e do mal, nos deparamos com a questão da relatividade desses dois princípios. Não podemos afirmar, com certeza, que algo é bom ou mau em si. No entanto, sabemos o que é bom ou mau para nós, pelo menos no momento presente, mesmo que algum acontecimento desagradável possa, no futuro, nos parecer ter sido necessário por nos ter trazido algo de bom. É quando costumamos dizer que há males que vêm para o bem. Mas, sem dúvida, há controvérsias, e o que é bom para uma pessoa pode não o ser para outra, Jung comenta isso falando sobre o homem arcaico:
“Perguntado acerca da diferença entre o bem e o mal, um chefe negro deu essa resposta: “Se eu roubar a mulher de um inimigo meu, isso é bom; mas se ele roubar a minha, isso é mau”” (Jung, O. C. vol. X – 3,  § 108).

Mesmo moralmente discutível, essa atitude continua atual, fazendo parte do nosso egoísmo, da vontade de o nosso ego obter o que quer, de realizar todos os desejos sem levar em conta o sofrimento dos outros. Vemos assim que sofrimento, dor e tristeza são expressões que definem o mal, como a felicidade, o prazer e a alegria nos trazem o bem. Podemos, então, a partir desses sentimentos, separar os dois conceitos e reconhecer cada um deles, atribuindo-lhes um valor mesmo que subjetivo, mas que pode nos levar a valores mais universais quando avaliamos o Bem e o Mal em termos gerais e nos revoltamos contra a maldade no mundo.
Quando Jung, na década de 40 do século passado, referia-se às Primeira e Segunda Guerras Mundiais, demonstrava que o comportamento dos que delas participaram lhe parecia absurdo, dado o desenvolvimento que a humanidade alcançara. O que dizermos então do nosso momento atual, em que o ser humano continua a praticar toda espécie de crueldade?    Estamos em pleno Século XXI, continuamos nos desenvolvendo em todas as áreas, científica, técnica, cultural, com novas descobertas no campo da física, química, biologia. Fazemos inseminação artificial, nascem bebês de proveta, produzem-se clones de animais, usamos testes de DNA e criamos o Projeto Genoma, que mapeou o código genético humano, permitindo o conhecimento de todos os genes da raça humana. Os meios de comunicação estão cada vez mais desenvolvidos e evoluídos. As máquinas tornam-se mais sofisticadas a cada dia, construímos foguetes e promovemos viagens espaciais. Continuamos tentando descobrir de que é feita a matéria no seu nível mais elementar ou, como diziam os antigos filósofos gregos, a arché (princípio) de todas as coisas. Para isso foram criados os aceleradores de partículas, que atingem velocidades próximas à da luz e que, segundo alguns cientistas, entre eles o físico Sheldon Glashow, prêmio Nobel de Física em 1979:
“...podem gerar, como resíduo,  uma partícula denominada strangelet, que teria efeitos devastadores, com condições de engolir os núcleos atômicos, crescendo sem parar até consumir a Terra inteira” (Revista Terra, setembro de 2003)
Parecemos mais civilizados agora quando olhamos para o passado, achamos estarmos melhor no estágio em que vivemos. Vencemos doenças com vacinas, remédios, cirurgias, transplantes. Em compensação,  tomamos cada vez mais remédios e usamos todo tipo de drogas, para dormir, para ficar acordado, para acalmar, para animar, além de fumarmos e ingerirmos bebidas alcoólicas. Não admitimos mais sentir qualquer tipo de dor ou sofrimento físico ou psíquico, vivemos literalmente dormentes. Além disso, as drogas mais pesadas chegam a nós através do crime organizado, destroem vidas e incentivam outros crimes.
Por trás dessa decadência humana, encontra-se o pior dos males, o dinheiro, esse Deus que criamos, tirânico e devorador, que traz em si o germe do poder e da dominação. Aliás, somos  escravos de uma trindade terrível: Sucesso, Dinheiro e Poder. Para completar o quatérnio, temos o culto da Eterna Juventude, da necessidade do corpo perfeito e malhado, das plásticas e lipoaspirações, dos anabolizantes e dos seios artificiais. Não nos é permitido envelhecer sem nos sentirmos feios e ridículos. Se não envelhecemos, onde ficará o Velho Sábio? Vai virar sombra e nos restará um futuro de puer æternus (eterna criança).
As guerras atuais mostram o quanto ainda carregamos de ódios, ganância e rivalidades. Continuamos a praticar toda espécie de ações nocivas ao bem-estar da humanidade, geralmente em busca de ganhos materiais: mata-se, rouba-se, vende-se drogas, há exploração e prostituição de menores, jogos ilegais e corrupção. Ainda permitimos que exista fome e miséria no mundo. O ser humano parece não ter limites para atingir seus objetivos, passando por cima de todos os bons valores, ignorando todas as melhores virtudes que possuímos.
A Psicologia Analítica trata dos tipos psicológicos, que Jung dividiu em quatro funções psíquicas, são elas: pensamento, sentimento, sensação, intuição.
Em seu livro “O Lado Sombrio da Realidade”, John Sanford (1988) refere-se ao mal como necessário para incrementar a função sentimento e diz:
“Pode-se dizer que o mal no mundo ajuda a incrementar a função sentimento, se não existisse o mal, não haveria reações de sentimento. O mal é necessário para nos tornarmos completamente humanos.” (Pág. 20)

Parece pertinente a idéia de que o mal ajudou a desenvolver o sentimento em nossa natureza. Alguém com a função sentimento bem desenvolvida possui maior capacidade de avaliação e reação em geral e esse efeito vai mais além, levando-nos até a um maior desenvolvimento no mundo, pois o mal mexe conosco, toca-nos profundamente, nos mobiliza fazendo-nos reagir e lutar, enquanto o bem só nos apascenta, acalma e acomoda. Este é um tremendo paradoxo, com o qual precisamos conviver, o de que, em algumas circunstâncias, o mal pode ser destrutivo e construtivo ao mesmo tempo, que o mal pode trazer o bem. Sem esquecermos que, para funcionar dessa maneira, precisamos usar nossa função sentimento, buscando sempre ser mais atentos e humanos ao reagirmos ao que acontece à nossa volta.
 Se perguntarmos às pessoas por toda a face da Terra, se elas preferem o bem ou o mal, certamente a maioria dirá que prefere o bem. Há no ser humano um anseio, uma busca pelo bem, pela paz, pelo amor, como uma nostalgia do Paraíso Perdido. O próprio fato de tentarmos negar em nós, o que consideramos como sendo relacionado ao mal, denota o valor que conferimos ao bem. Todos querem ser considerados bons perante a sociedade.
Como se explica, então, desejarmos e valorizarmos o Bem e praticarmos o mal? Sequer percebemos que agimos assim, de forma tão irracional, porque achamos sempre que são as outras pessoas que agem mal, e aí encontra-se o perigo. Todos queremos que o bem venha ao nosso encontro, mas nem sempre queremos encaminhá-lo aos outros, e desse jeito, por não fazerem o circuito certo, as trocas não se completam. Cada um precisa fazer a sua parte, pois sabemos que, no final das contas, todos os acontecimentos, bons ou maus, que ocorrem em nossa sociedade, são consequência das ações humanas.
Isso nos traz a idéia da sombra e à necessidade de retornarmos  a nossa integridade perdida, unindo a consciência ao lado oculto da mente. A necessidade de sabermos que existem os processos inconscientes, tão vivos e atuantes quanto a nossa razão consciente, porém mais fortes por compreenderem todo um conteúdo que nos é desconhecido. Esse desconhecido reprimido e inferior, oculto por nós mesmos, essa sombra recalcada que projetamos nos outros, gerando  toda espécie de desentendimentos, neuroses e sofrimentos, é responsável por boa parte de nossas ações sem nos darmos conta disso. Tudo o que desconhecemos pode nos pegar de surpresa e provocar desastres de todo tipo.
A grande maioria de nós ignora possuir esse lado carregado de emoção, de sentimentos, em grande parte, fora do nosso controle. Eles podem surgir nos momentos de crise, vindos do inconsciente pessoal ou podem vir sob a influência do inconsciente coletivo. Não esqueçamos que um dia, no princípio de nossa existência humana, fomos totalmente irracionais, que a razão foi se desenvolvendo aos poucos e que a nossa mente faz parte desse mundo psíquico, de uma riqueza imensa de imagens inconscientes, algumas já reveladas, de forma simbólica, pelas mitologias e religiões, e outras mais, ainda ocultas. Por isso é tão importante lermos os mitos, conhecermos as religiões e aceitarmos a realidade que essas narrativas representam em nossa psique para que possa haver a integração dos dois lados em nossa alma. Precisamos entender que não são histórias inventadas por mentes primitivas, mas vivências internas trazidas para fora por uma necessidade de mantermos a saúde mental. Jung expressa isso em “Arquétipos do Inconsciente Coletivo”:
“A Humanidade sempre teve em abundância imagens poderosas que a protegiam magicamente contra as coisas abissais da alma, assustadoramente vivas. As figuras do inconsciente sempre foram expressas através dessas imagens protetoras e curativas e, assim, expelidas da psique para o espaço cósmico.” (O. C. Vol. IX – 1, § 21)
Para ele, as neuroses tinham origem em uma dissociação da psique diante de um sofrimento intolerável, que podia provocar o surgimento de um arquétipo de uma forma destrutiva, um arquétipo demoníaco. A dissociação entre o bem e o mal nos traz esse sofrimento.
Um exemplo disso foi apresentado em uma reportagem do programa “Fantástico”, da Rede Globo de Televisão, e maio de 2003. A reportagem dizia, com alarde, que na Noruega vivia-se num país ideal, onde todos gostaríamos de viver. Nos dois anos anteriores, a Noruega havia conquistado o melhor IDH – Índice de Desenvolvimento Humano, entre todos os países do mundo. Não existiam desempregados nem analfabetos, o nível financeiro da população era muito alto. Paz e prosperidade conquistadas com justiça econômica. O capitalismo norueguês, com forte base socialista, é centrado na distribuição dos benefícios da principal fonte de renda do país, o petróleo. Gente educada, que vive em harmonia, em Berguen, segunda maior cidade do país, com cerca de 225 mil habitantes, não havia assaltos e crime era coisa muito rara: média de um por ano e, em todo o país, nunca haviam chegado a cinquenta.
Os policiais noruegueses ganhavam o equivalente a 25 mil reais por mês para fazer quase nada. As pessoas que apareceram na reportagem, em suas casas ou andando pelas ruas, pareciam alegres e tranqüilas. Rico e com muito tempo livre, o norueguês viaja muito e aproveita várias outras formas de lazer.
Porém, ao final, a reportagem chamava a atenção para a taxa de suicídios que, segundo eles, de tão alta, é considerada um problema de saúde pública.     
As imagens mostradas pela televisão davam idéia de um país de sonhos, bons sonhos, e terminava como um grande pesadelo. Este exemplo mostra claramente como não suportamos abafar totalmente um dos lados da nossa natureza, pois o mundo é feito de opostos, tudo o que existe necessita do seu complemento, isto é uma verdade inquestionável. No entanto, não enxergamos essa realidade em nós e vivemos de forma capenga, escondendo a face que nos parece feia e fazendo de conta que ela não existe, até ao ponto de acreditarmos nisso. Temos bons exemplos na Literatura, vide Fausto, Dr. Jekyll e Mister Hyde e O Retrato de Dorian Gray. Tememos perder, diante do outro, a imagem de perfeição que nos é exigida pela nossa cultura e fechamos os olhos para essa realidade, que representa  a união cósmica, lindamente decantada pelo nosso “maluco beleza”, poeta e visionário, na última estrofe da sua canção “Trem das Sete”:
“Ói, olha o Mal, vem de braços e abraços com o Bem num romance astral. Amém” (Raul Seixas)
A conjunção amorosa dos opostos nos salva da destruição, pois começamos a nos entender, aceitar e paramos de projetar o mal no outro. Como comentou Jung ao referir-se à construção da bomba atômica:
“O homem passou a ser o pior inimigo do homem. É um choque entre o homem e Deus, em que o gênio luciferino do homem produziu na bomba H o poder de destruir mais eficientemente do que qualquer deus antigo. Devemos começar aprendendo a conhecer o homem até que cada Jekyll possa ver o seu Hyde.” (1977, Entrevistas e Encontros, pág. 227)
Que cada Jekyll possa ver o seu Hyde, que nossos anjos convivam em paz com nossos demônios, pois difícil é o caminho do meio, mas custa menos buscá-lo do que nos entregarmos à ilusão de que podemos viver uma “psicologia positiva” que alguns estão pregando atualmente. Segundo essa idéia, basta pensarmos só em coisas boas, que as más desaparecerão de nossa mente, como numa mágica, e tudo estará resolvido.
É verdade que ir ao encontro do Bem traz bons sentimentos, mas não destrói os maus sentimentos, não há como ignorá-los pensando que estamos livres deles, não podemos transformá-los em  inimigos e extirpá-los do nosso ser. Se observarmos com cuidado o que nos acontece a cada momento, veremos que Jung tinha razão.
Fausto, de Goethe (assinando o pacto com Mephisto)
O mundo não se tornará melhor sem melhorarmos a nós mesmos; não há como fazermos isso sem nos conhecermos e aceitarmos o que somos. O que somos vai além da consciência, e o inconsciente costuma ser, para a maioria, uma terra desconhecida, repleta de símbolos misteriosos, mas ricos de significados importantes para esse processo. Eles nos aparecem em nossos sonhos e imaginação, trazendo recados e muitas vezes, tentando nos orientar através de idéias intuitivas. Estes símbolos são, como diz Mircea Eliade (1991):
“Como a epifania de um mistério, nos trazem, dentro do possível, mensagens de nossa vida interior, necessárias para manter nosso equilíbrio psíquico, através de um maior conhecimento de nós mesmos.” (Imagens e Símbolos, págs. 8 e 9)
Companheiros do nosso processo de individuação, os símbolos representam os arquétipos e revelam a nossa sombra, no que ela contém de bom e de mau, de destrutivo ou de criativo, de tudo que pode nos fazer crescer e despertar, cada vez mais, para uma vida plena.
É um despertar sofrido. O mal nos assusta, as religiões cristãs dizem que devemos nos afastar dele, mas, ao nos depararmos com uma situação igual à da Noruega, nos assustamos com o bem e chegamos à conclusão de que o bem em excesso pode trazer o mal. Isto vai contra tudo que aprendemos e deveria nos fazer pensar: O que significa esse paradoxo? Nesse momento perceberíamos o absurdo de negarmos a totalidade, ao  crermos num Deus totalmente Bom, o Summum Bonum (o Bem Supremo). Todo exagero leva ao exagero oposto, esta é a lei da enantiodromia (da qual falava Heráclito), ou no popular, como costumava dizer uma tia-afim muito querida: “Tudo de mais é veneno...”
  Fazendo constantemente a ressalva de que sua visão não era religiosa, e repetindo que era apenas um médico, psicólogo e empirista, Jung defendia a idéia de que as religiões nos ajudam a vivenciar os arquétipos mais importantes que povoam nossa psique, plenos de significados para nossa vida. Na sua obra sobre a “Interpretação Psicológica do Dogma da Trindade”, ele disse que as religiões se achavam tão próximas da alma humana, com tudo quanto elas são e exprimem, que a psicologia não poderia jamais ignorá-las. Jung confirma essa idéia  na afirmação em que inicia citando uma frase do Evangelho:
“Tudo está aí:”O Reino dos Céus está dentro de vós”, esta é uma grande verdade psicológica. O cristianismo é um belo sistema de psicoterapia. Cura o sofrimento da alma!” (1977, Entrevistas e Encontros, pág. 82).

  Para a Psicologia Analítica, não há desenvolvimento pessoal ou individuação sem aceitarmos a sombra, se não encaramos o material que permanece inconsciente, este pode tornar-se um monstro, um inimigo invisível que suga a energia do ego. O que permanece no inconsciente jamais se modifica. Segundo Jung, as correções psicológicas são apenas possíveis no nível da consciência. Como disse Hilman(James.Re-Visioning Psychology): "O Homem existe dentro da Psique ... não ao contrário ... e muito da Psique estende-se além da natureza humana”
Portanto, a busca precisa ser interna para encontrar o amor pelo nosso eu total. Esta não é uma atitude egoísta, mas um aprendizado de auto-aceitação, de nos vermos como íntegros, inteiros. Aceitar a unidade é o início do amor por toda criação, o amor pela vida. É uma forma de dar graças aos céus por participarmos dessa existência cósmica,  reconhecendo a sacralidade do existir, do estar aqui e agora, seja como for, e percebermos que estivemos e vamos estar sempre ligados apesar das diferenças. Somos vários, diversos mas estamos unidos ao Todo, a Deus, ao Centro ou ao Self, seja qual for o nome que se dê ao princípio sagrado, a essa Fonte Criadora.
Por isso Jung conclamava: “Devemos integrar nossa sombra”. Mas esta não é uma tarefa fácil para ninguém. Ao encarar a sombra, mesmo sendo uma viagem ao inconsciente pessoal, não sabemos até onde podemos ir. O limite entre o inconsciente pessoal e o coletivo depende do nosso estado d’ alma e transpor esse limite pode significar a perda da nossa sanidade mental. Diante disso, há que respeitar e cultuar o mistério, pois a única certeza possível nesta vida é que toda ela é um Grande Mistério.
As pessoas que pensam, meditam e se preocupam com a existência do mundo tendem a chegar a essa conclusão. A diferença que pode haver entre essas pessoas é de que algumas imaginam que nossa razão, sozinha, poderá um dia desvelar esse mistério enquanto outras sabem que o mistério encontra-se muito além do horizonte racional. Trata-se de um Misterium Tremendum, como dizia Jung, encontra-se no reino do numinoso, um arquétipo com poder esmagador e irresistível, que Whitmont definiu como: “um impacto energético e oracular de manifestação divina.”  Tendo acesso a ele poderíamos, quem sabe, encontrar as respostas às perguntas que nos angustiam. Mas sua visão é devastadora, pode nos levar à inflação do ego, a imaginarmos que somos como deuses e, conseqüentemente, a sermos dominados pelos poderes da Luz e das Trevas. Luz e Trevas, duas poderosas energias complementares que, se unimos com forças amorosas, representam a totalidade, contendo o Bem e o Mal. Ao agirmos assim, veremos nelas duas faces de uma mesma realidade divina na qual estamos inseridos, da qual fazemos parte.
Está no Velho Testamento:
 IS 45,5-7: “Eu sou Iahweh e não há nenhum outro...Eu formo a Luz e crio as Trevas, asseguro o bem-estar e crio a desgraça: sim, eu, Iahweh, faço tudo isto;” ou IS 54,16: “Sabe que fui quem criou o ferreiro que sopra as brasas no fogo e tira delas o instrumento para o seu uso; também fui eu quem criou o exterminador, com a sua função de criar ruínas.”

Rosa Carmen

PS:  Esse texto foi baseado em uma parte da minha Monografia do final do Curso da Pós-graduação em Psicologia Junguiana do IBMR, no ano de 2003.